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31. Partida da Base Gabriel Castilla

Chegou o dia de partida da Base Gabriel Castilla. Ainda temos trabalho no campo por terminar e experiências para montar. Além disso, falta-nos ainda arrumar todo o equipamento nas caixas que vão seguir directamente para Espanha. Dividimo-nos em dois grupos. Eu e o Juanjo vamos subir ao patamar próximo de Crater Lake para acabar as medições na camada activa e instalar dois termómetros. O Christian e o Stephan vão fazer um perfil de refracção sísmica próximo da base. Voltei do campo com o Juanjo ainda a tempo do almoço de domingo que começava às 15h. Depois do almoço arrumámos todo o material, o gabinete de trabalho e as malas. Deixámos a base Gabriel de Castilla rumo ao navio oceanográfico Hespérides pelas 20h. Os chefes das bases ofereceram-me a bandeira portuguesa que esteve hasteada nas bases durante a minha estadia. Sabem que estou ligado ao Comité para o Ano Polar Internacional 2007-08 e deram-me a bandeira com o objectivo de a hastear numa futura base antárctica portuguesa. Foi um gesto bonito, que mostra bem a fraternidade que se vive na comunidade antárctica, e o apoio que Espanha está disposta a dar à investigação portuguesa na Antárctida.

Começou a derradeira e longa etapa de regresso a casa. Temos pela frente, dependendo das condições meteorológicas, cerca de 1 semana de viagem. Primeiro temos que ir buscar um grupo de cientistas à Ilha de King George (Ilha 25 de Maio para os argentinos) e só depois atravessamos o Estreito de Drake em direcção a Punta Arenas, na América do Sul, onde devemos chegar na 6ª feira de madrugada. São mais de 5 dias de navegação atravessando o pior oceano da Terra. Vamos ver se temos sorte. Na anterior campanha em que participei, a viagem para a Antárctida foi dura, com ondas de 12m e 4 dias de viagem; mas no regresso, tivemos um Drake suave, e que fizemos em apenas 3 dias.

O navio está com lotação esgotada, algo que já sabíamos, o que quer dizer que não há camas para nós. Toda a viagem vai ser passada a dormir no chão da sala de reuniões dos cientistas. 5 noites! Vamos dormir num canto da sala, junto a vários sofás dispostos em direcção a um ecrã de plasma. A sala tem uns 15 m de comprimento, por 5 m de largura e é um local de passagem central no navio. Não há janelas, e as paredes estão cheias de portas, 10 das quais são de camarotes dos outros cientistas. Felizmente temos uma ampla mesa de trabalho, onde vamos poder ocupar o tempo. Ah! e o chão é de madeira. Confortável madeira! Teria que haver alguma vantagem :) Agora falta saber como vai estar o Drake e se vamos resistir ao enjoo típico destas bandas.

12/02/2006

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Carregando o equipamento do projecto PERMAMODEL


Despedida da Base Gabriel de Castilla (Ilha Deception)

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