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32. Navegando no estreito de Bransfield

Pela manhã chegamos à Ilha de King George. A viagem de cerca de 12h desde Deception correu sem percalços, apenas com uma ligeira ondulação. Acordei às 7h e dormi muito bem. O chão não me incomoda. O mais chato é a falta de privacidade.

Começa a rotina do barco. Pequeno-almoço até às 8h30, intervalo para sandes às 10h, almoço às 13h30 e jantar às 19h15. Zarpamos de King George por volta das 11h. Passo a maior parte do tempo sentado a trabalhar no computador e a ouvir música. Subimos também à ponte, damos voltas pelo navio, tomamos café. Enfim, é o ritmo da viagem de volta. É preciso ter paciência. Aos poucos vou-me lembrando de coisas passadas na campanha anterior… a perda da noção do tempo, em especial porque não vemos praticamente o exterior; é difícil organizar o trabalho. Parece que temos toda a semana livre pela frente, mas receamos o Drake e que nos impossibilite trabalhar. Além dos dados da campanha que devemos organizar, temos artigos em preparação, e um monte de coisas de outros projectos que estiveram paradas durante o tempo da campanha. Só de pensar que tenho cerca de 400 testes dos meus alunos, em Lisboa, à espera de serem corrigidos, fico com pesadelos.

Corre o rumor de que vamos ter mau tempo… propício ao enjoo, mas parece que menos mau do que em 2000. Ao menos isso. Passar o Drake sem ondas também não tem graça. Assim, ao menos ficamos com mais qualquer coisa para contar aos nossos netos.

Gosto de sentir as ondas enquanto trabalho, mas é difícil combater o sono. São 16h30 quando escrevo e começa-se a sentir mais ondulação. Lá fora está a nevar e muito vento. Estamos a rodear a Ilha de King George pelo norte, mas ainda ao abrigo da ondulação do mar aberto. Navegamos no Estreito de Bransfield, que divide as Shetlands do Sul da Península Antárctica. A ideia é entrar no Drake com a ondulação pela popa para facilitar a navegação. Navegamos a 12 nós. Se tudo correr bem, demoraremos cerca de 48h a atravessar o Drake. Depois, será apenas necessário atravessar os canais da Terra do Fogo, mas aí a ondulação já quase não se vai fazer sentir.

Depois de 1 mês a falar espanhol e inglês, começo a ter alguma dificuldade em organizar um texto em português correcto.

13/02/2006

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Adeus à Ilha de King George, com brash no mar

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