33. No estreito de Drake
22h14: Continua a viagem. O mar está igual à noite anterior. O barco range, é difícil andar em pé, e quando estamos sentados, as cadeiras deslizam. É praticamente impossível trabalhar. Já quase desisti de fazer esforço para isso. Passo muito tempo na ponte a observar o mar. Tem uma cor cinzento-azulada incrível. A proa ao embater nas ondas faz efeitos fantásticos. É um descanso para a cabeça estar sentado a observar a janela da frente da ponte, com o mar como horizonte. Cada vez que subo, vejo um petrel de cor escura que acompanha o navio, passando várias vezes à nossa frente. Por 10 minutos, perdi a hipótese de ver 3 baleias que nadavam mesmo ao lado do navio.
Não podemos sair para o exterior devido ao estado do mar. O ar está pesado e em alguns sítios está demasiado calor. Arrastamo-nos pelo navio. Dentro de alguns dias, já nos devemos conseguir orientar cá dentro. O Hespérides não é muito grande. Tem 85m e 4 pisos, mas não há quase pontos de referência no interior. Apenas portas fechadas com inscrições em cima “Pasillo de popa”, “escaleras”, “cam. cientificos nr. 7”. Este último é de dois colegas que entraram connosco em Deception e é lá que está a casa-de-banho que temos usado. Já só faltam 3 noites no chão. Em princípio, amanhã ao fim do dia chegaremos à América do Sul. O dia de 5ª feira vai ser passado a cruzar os canais da Terra do Fogo. Seria óptimo termos bom tempo.
14/02/2006
Posted 02/14/06 by geograph | Filed under: Diário de Campanha
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