35. Canal Beagle
Para sul do Canal Beagle tinhamos o Chile, e para norte a Argentina. Mas a oeste de Ushuaia, entramos definitivamente no Chile. Então, as montanhas tornam-se mais elevadas, ultrapassando os 1000m, e os primeiros glaciares começam a pontuar a paisagem. À medida que avançamos, os Andes Fueguinos vão mostrando todo o seu esplendor. Não vive ninguém em dezenas, ou mesmo centenas de quilómetros em redor e a paisagem é incrível. As montanhas têm picos aguçados com vertentes a mergulhar nos fiordes, e glaciares descem por vales encaixados, formando cascata de gelo lindas, com tons de azul indescritíveis, típicos do gelo velho, muito comprimido que fluiu do alto da montanha. Para um geomorfólogo a paisagem é fantástica, e a máquina fotográfica não pára de disparar. Continuamente vemos formas de relevo e depósitos que vamos tentando interpretar. Fiquei impressionado com o retrocesso glaciário, que é evidente pelas marcas frescas de erosão glaciária deixada na paisagem. Espantoso! E sem uma única marca da intervenção do homem. Não há casas, caminhos, árvores cortadas, nada! Que eu tenha notado, ao longo de todo o dia, a oeste de Ushuaia, apenas nos cruzámos com dois navios e um veleiro.
Á tarde começou a chover, o que até foi bom, porque estávamos gelados e a chuva obrigou-nos a ir para dentro do barco. Depois do jantar voltámos a sair. Estávamos finalmente a abandonar os canais, para cruzar durante algumas milhas o Oceano Pacífico, virar depois para norte, e entrar novamente nos canais em direcção a Punta Arenas. À entrada do Pacífico a ondulação aumentou muito e entrámos no pacífico à proa a saborear o vento e os salpicos do mar. Mas a ondulação aumentou de tal forma, que tivemos que voltar a entrar. O ambiente na sala dos investigadores é agora mais relaxado. Nota-se que está toda a gente satisfeita por chegar a terra e voltar a casa. Os cerca de 30 biólogos que estão connosco no Hespérides estiveram mais de 1 mês no navio a recolher amostras, tendo ido até ao Mar de Bellingshausen a 71ºS. Todos aguardamos a chegada a Punta Arenas amanhã de manhã. Para a equipa do projecto PERMAMODEL a viagem durou 5 dias e 5 noites. Para mim, foi mais uma interessante experiência de cruzar o Drake e que serve basicamente para termos consciência do isolamento que tivemos na Antárctida durante as últimas 5 semanas. Mas há que dizê-lo, as 2h30 de voo entre Punta Arenas e King George do início da campanha, são um modo muito mais confortável de fazer a viagem… tenho que parar. É meia-noite e os biólogos acabam de abrir uma garrafa de vinho.
16/02/2006
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Chegada ao Canal Beagle

Glaciares do Canal Beagle
Posted 02/16/06 by geograph | Filed under: Diário de Campanha
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